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A

Abertura Comercial

Vendida como “modernização”, a abertura comercial neoliberal é uma escolha política de desproteção da indústria e do emprego local. A promessa é que produtos importados mais baratos trariam bem-estar. A realidade é o desmonte do parque industrial, a substituição de bons empregos por bicos precários e a condenação do país a ser eterno exportador de matéria-prima. Não é “abertura”, é rendição da soberania econômica disfarçada de livre mercado.

Accountability

Palavra em inglês que o discurso gerencial adora: “precisamos de mais accountability”. A tradução literal é “prestação de contas”, mas na boca do opressor vira uma arma de vigilância e punição sobre o serviço público. Só se cobra “accountability” do professor, do médico, do funcionário público, nunca da empresa que sonega impostos ou do banco que cobra juros abusivos. É uma transparência seletiva que serve para culpar o trabalhador e blindar o verdadeiro poder econômico.

Acumulação Flexível

O termo acadêmico parece neutro, mas descreve uma brutalidade cotidiana: é o jeito chique de dizer que o capital te quer sem carteira assinada, sem jornada fixa, disponível 24 horas no aplicativo, mas sem direito nenhum. A “flexibilidade” é sempre do patrão. Para você, é a vida instável, a renda incerta e a angústia permanente. É a acumulação do capital com a flexibilização da sua existência.

Agenda (Agenda Globalista | Agenda Woke | Agenda 2030)

“Tem uma agenda por trás disso.” Quando fascistas digitais falam em “agenda”, estão acionando a lógica da conspiração: um grupo maligno (os “globalistas”, os “comunistas”, o “movimento LGBTQIA+”) planeja secretamente destruir a civilização cristã ocidental. A Agenda 2030 da ONU vira um plano satânico. É um significante vazio que pode ser preenchido com qualquer pânico moral do momento. Assim, desqualificam qualquer avanço social como “imposição de agenda”, silenciando o debate com paranoia.

Ajuste Fiscal

Quando um governo fala em “ajuste fiscal”, prepare-se: a conta vai para quem sempre paga. Por trás dessa expressão técnica, esconde-se a decisão política de cortar dinheiro da saúde, da educação e da aposentadoria para garantir o lucro dos bancos e dos rentistas. É uma máquina de transferir dinheiro do trabalho para o capital financeiro. Chamam de “ajuste” o que na verdade é um desmonte dos serviços públicos. A pergunta que fica é: por que o “ajuste” nunca é feito cortando os juros altos pagos aos mais ricos?

Alerta de Segurança

O discurso fascista depende do medo. O “alerta de segurança” constante — na TV, nos grupos de WhatsApp, nos pronunciamentos de milícias — não serve para proteger ninguém. Serve para manter a população aterrorizada e pedindo mais polícia, mais armas, mais Estado penal. É uma ferramenta de controle social que transforma o vizinho pobre num inimigo e justifica a violência preventiva. A segurança vira obsessão, e a liberdade, a primeira vítima.

Aliança do Mal

Variante do “eixo do mal”, é a retórica que divide o mundo entre “nós” (puros) e “eles” (demoníacos). Pode ser aplicada a países, a movimentos sociais ou a adversários políticos internos. Ao nomear o outro como “maligno”, elimina-se a possibilidade de diálogo e justifica-se qualquer violência. Não se negocia com o mal; elimina-se o mal. É a desumanização que precede todos os genocídios.

Alívio da Pobreza

Soa generoso, mas é um veneno conceitual. O neoliberalismo ama o “alívio” e odeia “erradicação da pobreza”. Aliviar é tornar a miséria suportável com um cartão de auxílio mínimo, sem mexer um milímetro na estrutura que produz a miséria: a concentração de terra, a sonegação fiscal dos bilionários, a financeirização da vida. É filantropia de marketing que trata a desigualdade como um azar passageiro, e não como o motor que move o sistema. Alivia para não transformar.

Ameaça Comunista

O fantasma que a extrema direita agita há um século. Tudo o que desafia a propriedade privada e a hierarquia social é taxado de “ameaça comunista” — desde a merenda escolar até o SUS. É um rótulo elástico que dispensa argumentos: cola-se a etiqueta vermelha e encerra-se o debate. Nos dias de hoje, “comunista” é qualquer um que defenda direitos, vacinas, ciência ou democracia. A acusação não descreve uma ideologia, é apenas um grito de guerra tribal.

Ameaça Externa

Na cartilha do líder autoritário, inventar um inimigo externo é a forma mais rápida de unir a tribo e calar dissidências internas. Pode ser o “globalismo”, o “comunismo internacional”, os “imigrantes invasores”. A função é sempre a mesma: desviar a atenção da exploração econômica real e justificar o orçamento militar e a vigilância. O medo do “de fora” é o cimento do autoritarismo.

Anarco-capitalismo

A utopia violenta de quem sonha com um mundo sem Estado, mas com propriedade privada absoluta. É o discurso do “empreendedor armado”, que quer privatizar até as calçadas e resolver conflitos no contrato e na bala. Na prática, é a ideologia dos senhores feudais modernos: imaginam-se reis de seus bunkers, livres de impostos e de leis, enquanto uma massa despossuída serve de mão de obra sem direitos. O Estado que eles negam é o que protege o trabalhador; o que eles amam é o que garante suas propriedades.

Antipetismo

Mais do que uma posição política contra um partido, o antipetismo foi transformado em identidade. É o ódio que unifica setores da classe média contra o “pobre que saiu do lugar”, contra o nordestino, contra a política social. Opera como um significante mestre: tudo de ruim no país é atribuído ao PT, mesmo fatos anteriores ou posteriores à sua existência. Esse ódio organizado serviu de massa de manobra para o golpe de 2016 e a eleição do fascismo, funcionando como um biombo moral para políticas de arrocho.

Antissistema

Na boca da nova direita, “antissistema” virou slogan de bilionários e herdeiros que posam de rebeldes. Gritam contra a “velha política” enquanto financiam campanhas e operam lobbies. O truque retórico é despolitizar a revolta legítima da população contra a desigualdade e canalizá-la para um líder salvador que, no fundo, defende exatamente a manutenção dos privilégios. Ser “antissistema” hoje é frequentemente o disfarce mais cínico do sistema.

Apagão de Mão de Obra

Eufemismo patronal para “tem vaga, mas o salário é tão ruim que ninguém quer”. Quando a mídia anuncia um “apagão de mão de obra”, está culpando o trabalhador por não se qualificar para um emprego que paga mal e exige experiência impossível. É uma chantagem que prepara o terreno para cortar direitos e importar mão de obra ainda mais barata. O “apagão” real é o de salários decentes.

Apartidarismo

Vendido como pureza cívica, o apartidarismo contemporâneo é profundamente político: prega que partidos são todos corruptos e que a solução é um líder técnico ou messiânico acima das disputas. Ao rejeitar a mediação partidária, rejeita-se a própria política democrática, abrindo espaço para a ditadura do gestor ou do salvador da pátria. É a ideologia dos que desprezam a política para fazer política contra o povo.

Antissistema

Na boca da nova direita, “antissistema” virou slogan de bilionários e herdeiros que posam de rebeldes. Gritam contra a “velha política” enquanto financiam campanhas e operam lobbies. O truque retórico é despolitizar a revolta legítima da população contra a desigualdade e canalizá-la para um líder salvador que, no fundo, defende exatamente a manutenção dos privilégios. Ser “antissistema” hoje é frequentemente o disfarce mais cínico do sistema.

Apagão de Mão de Obra

Eufemismo patronal para “tem vaga, mas o salário é tão ruim que ninguém quer”. Quando a mídia anuncia um “apagão de mão de obra”, está culpando o trabalhador por não se qualificar para um emprego que paga mal e exige experiência impossível. É uma chantagem que prepara o terreno para cortar direitos e importar mão de obra ainda mais barata. O “apagão” real é o de salários decentes.

Apartidarismo

Vendido como pureza cívica, o apartidarismo contemporâneo é profundamente político: prega que partidos são todos corruptos e que a solução é um líder técnico ou messiânico acima das disputas. Ao rejeitar a mediação partidária, rejeita-se a própria política democrática, abrindo espaço para a ditadura do gestor ou do salvador da pátria. É a ideologia dos que desprezam a política para fazer política contra o povo.

Ascensão Social

Na narrativa do “você pode tudo se se esforçar”, a ascensão social é a cenoura na vara que faz o burro andar. O discurso neoliberal usa raros casos de mobilidade individual como prova de que o sistema funciona, escondendo que as regras do jogo mantêm a estrutura de classes intacta. A promessa de subir de vida é o lubrificante que faz o trabalhador aceitar a exploração hoje sonhando com um prêmio que a estatística nega. É o culto do indivíduo contra a organização coletiva.

Assédio Judicial

Quando um poderoso processa um jornalista, um ativista ou uma pequena publicação por “difamação”, o objetivo não é ganhar a causa, é intimidar e levar à falência. O opressor chama isso de “defesa da honra”. É uma técnica fascista clássica de usar o sistema judiciário como arma para amordaçar críticos, drenar energia financeira e enviar um recado: quem fala a verdade será destruído nos tribunais.

Assistencialismo

O termo é usado como xingamento contra qualquer política de transferência de renda. Quem diz “assistencialismo” quer insinuar que o pobre é vagabundo e vai se acomodar com a esmola do Estado. É uma inversão perversa: a fome não é o problema, o prato de comida é que é o perigo moral. Enquanto se debate se o auxílio desestimula o trabalho, ninguém pergunta se a riqueza herdada desestimula o mérito. Assistencialismo é o nome que o capital dá à sua má consciência tributária.

Ataque Especulativo

Parece um fenômeno natural do mercado, mas é uma operação de guerra. Grandes fundos apostam bilhões contra a moeda ou a dívida de um país para forçar uma desvalorização e lucrar com o caos. Depois, os mesmos operadores do ataque vêm oferecer a “solução”: mais cortes, mais privatizações, mais juros altos. É um assalto planejado que a mídia econômica noticia como “desconfiança do investidor”.

Ativismo Judicial

A acusação de “ativismo judicial” surge seletivamente. Juízes que garantem cotas, casamento igualitário ou direitos indígenas são “ativistas” que usurpam o legislativo. Mas juízes que flexibilizam a CLT, liberam agrotóxicos proibidos ou autorizam despejos coletivos são “técnicos imparciais”. É uma retórica reacionária para deslegitimar o único poder que, por vezes, freia as ações autoritárias. É o grito do opressor quando a justiça ousa não estar a seu serviço.

Atração de Investimentos

O eterno pretexto para leiloar o país. Para “atrair investimentos”, governos neoliberais oferecem isenção fiscal bilionária, removem proteções ambientais, arrocham salários. O investimento vira um fetiche: nunca se pergunta que tipo de investimento, a que custo, para quem. A cidade vira uma “parceria público-privada” onde o povo entra com o terreno e o investidor, com o lucro. É a reinvenção da colonização com linguagem corporativa.

Autonomia do Banco Central

O mantra sagrado do mercado financeiro. “Autonomia” aqui significa blindar a política monetária da vontade popular. Quem decide a taxa de juros (que define se há emprego ou recessão) não pode ser eleito nem demitido pelo povo. É a retirada de um pedaço enorme da democracia das mãos da política e sua entrega a técnicos formados no credo do “choque de juros”. A autonomia é do capital contra o voto. Pergunte a si mesmo: por que a política de juros não pode ter debate democrático?

Autorregulação do Mercado

Mito fundante do neoliberalismo: o mercado seria uma entidade mágica que se corrige sozinha. Quando um rio é envenenado ou um banco quebra, a realidade desmente a lenda, mas o dogma permanece. Na prática, “autorregulação” significa ausência de freio estatal para que os tubarões nadem à vontade. É a ideologia que deixa a raposa tomar conta do galinheiro e ainda a chama de “eficiência”.

Austeridade

Uma palavra antiga para uma ideia brutal: em momentos de crise, o povo deve apertar o cinto enquanto o capital é socorrido. A austeridade nunca é neutra. É uma escolha ideológica que diz: “não há dinheiro para hospitais, mas há dinheiro infinito para pagar os juros da dívida pública aos bancos”. É a política do sacrifício dos mais frágeis em nome de uma “saúde fiscal” que nunca chega, porque o rombo é sempre preenchido pelos privilégios dos que estão no topo.

Avaliação de Desempenho

No setor público, a “avaliação de desempenho” vira muitas vezes um chicote eletrônico. Promete meritocracia, mas é usada para precarizar: metas impossíveis, bonificações que dividem a categoria, humilhação de quem não bate o número. Transforma o trabalho em gincana e o trabalhador em rival do colega. A solidariedade de classe é trocada pela competição de todos contra todos, tudo em nome da “produtividade”.

Aversão ao Risco

Na língua do investidor, “aversão ao risco” é o humor instável de quem detém o capital. Quando o humor é bom, há investimento; quando é ruim, exigem juros altos e cortes sociais. É uma chantagem psicológica permanente: o país deve seguir a cartilha para não “espantar o investidor”. O trabalhador não tem esse luxo. O risco de perder o emprego, a casa, a vida — isso não entra na equação. “Aversão ao risco” é soberania do rentista sobre a democracia.

Aborto (como significante político)

Na guerra cultural da extrema direita, “aborto” deixou de ser um procedimento médico para virar o significante máximo do mal. Não se debate saúde pública ou autonomia feminina: grita-se “assassino de crianças” ou “agenda anti-vida” para mobilizar afetos e eleger deputados. É uma palavra-ônibus que condensa todos os pânicos morais e serve para demonizar a esquerda sem precisar discutir economia, desigualdade ou racismo. A defesa da “vida” para na placenta; depois do nascimento, a extrema direita vota contra creche, merenda e Bolsa Família.

Afegão Médio

Expressão popularizada por influenciadores e programas de rádio de extrema direita para se referir ao “cidadão comum” que não entende nada de política. “Traduzir para o afegão médio” soa democrático, mas é profundamente classista: equivale a dizer que o povo é burro e precisa de um líder que fale simplificado. O termo é uma persona publicitária importada que reduz o debate público a um teatro de idiotas. No fundo, despreza a inteligência popular enquanto finge falar em nome dela.

Alienação Parental (como arma política)

Na boca de militantes da extrema direita e setores fundamentalistas, a “alienação parental” virou instrumento para desacreditar mães que denunciam abuso. Acusa-se a mãe de “programar” a criança contra o pai, mesmo quando há violência comprovada. É uma inversão perversa: o agressor se fantasia de vítima do sistema. Serve para manter a autoridade patriarcal dentro de casa enquanto se posa de defensor da família. O judiciário, muitas vezes, compra o discurso e entrega a guarda ao abusador.

Ameaça Globalista

Primo sofisticado da “ameaça comunista”, é o carro-chefe dos ideólogos da nova direita, como Olavo de Carvalho e Ernesto Araújo. “Globalismo” seria um complô para destruir a soberania nacional, a família e a religião. É uma teoria da conspiração totalizante: tudo o que desagrada — direitos LGBTQIA+, vacinas, regulação ambiental — é “globalismo”. A função é clara: criar um inimigo invisível e onipresente que justifique qualquer retrocesso.

Amor (como slogan político)

“O amor venceu”, “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”, “Pátria, família e amor”. Na extrema direita, o amor é despolitizado e transformado em mercadoria eleitoral. É um amor excludente: ama-se a família tradicional, a pátria mítica, o líder salvador. Quem está fora disso — o negro, o LGBTQIA+, o sem-terra, a feminista — não é amado, é combatido. É a estetização do afeto que esconde uma política de ódio. Como disse Freud, o amor ao líder une a tribo, mas o preço é a renúncia ao pensamento crítico.

Anticristo (como figura política)

Na teologia política neopentecostal, o Anticristo não é mais uma figura escatológica distante: ele está encarnado em adversários políticos concretos. Lula, o comunismo, o Papa Francisco (para alguns), a ONU — todos já foram apontados como “preparação para o Anticristo”. É o delírio religioso a serviço da mobilização eleitoral: transforma o voto em batalha cósmica entre Deus e o Diabo. Quem vota na esquerda não está apenas errado; está servindo ao demônio. Assim se elimina qualquer possibilidade de debate racional.

Antifrágil

Termo importado do coach Nassim Taleb e adotado por influenciadores digitais da machosfera e do empreendedorismo neoliberal. “Seja antifrágil” significa: não reclame, não peça ajuda, não dependa de ninguém. A crise não te enfraquece, te fortalece. É a versão turbinada da resiliência: o indivíduo deve amar o caos porque ele o “purifica”. Psicanaliticamente, é o delírio de invulnerabilidade do eu que nega a dependência do outro e a fragilidade constitutiva da vida. Na prática, justifica que o Estado te abandone: se você sofre, é porque não era “antifrágil” o suficiente.

Aparelhamento do Estado

Na retórica dos movimentos de extrema direita, o Estado estava “aparelhado” pelo PT, por comunistas, por “ideólogos de gênero”. “Desaparelhar” virou sinônimo de demitir, perseguir e substituir técnicos por indicados ideológicos. Mas o aparelhamento nunca é denunciado quando militares ocupam cargos civis, quando pastores controlam ministérios ou quando a família do presidente emprega dezenas de parentes. “Aparelhamento” é o que o outro faz; quando é do nosso lado, chama-se “restaurar a ordem”.

Arrependimento (como produto midiático)

Nas igrejas neopentecostais midiáticas e entre influenciadores “ex-gays”, o arrependimento virou espetáculo. O “ex-traficante”, o “ex-gay”, o “ex-feminista” sobem ao palco, contam sua história de degradação e choram. A catarse emocional vira prova da verdade religiosa. Mas é um arrependimento que nunca questiona a estrutura: o traficante se arrepende, mas não a polícia que mata; o gay se arrepende, mas não o pastor que prega ódio. É a gestão neoliberal do pecado: individualiza-se o problema e vende-se a solução pronta.

Arminha (gesto/ "arminha com as mãos")

O gesto de simular uma arma com os dedos virou símbolo da campanha bolsonarista e da extrema direita. Representa a fantasia de onipotência do “cidadão de bem armado” que resolve sozinho seus problemas. Psicanaliticamente, é um fetiche fálico: a arma como prótese de poder, que compensa a impotência real diante da precariedade da vida. A “arminha” infantiliza a violência, transforma arma em identidade e naturaliza a ideia de que matar é solução. A criança que faz “arminha” está sendo treinada para desejar a morte do outro.

Autoestima (como imperativo neoliberal)

No discurso dos coaches e influenciadores digitais, a autoestima deixou de ser um afeto saudável para virar um mandamento: “Você precisa se amar mais”, “Acredite em você”, “Sua autoestima define seu sucesso”. A armadilha é dupla: primeiro, transfere para o indivíduo a responsabilidade por problemas estruturais (você está desempregado porque não se ama o suficiente); segundo, transforma o amor-próprio em mais uma meta inalcançável que gera culpa. É a autoestima como técnica de autocobrança. Quem falha em ter “autoestima alta” sente que falhou como pessoa — e consome mais coaching.

Autossabotagem

Outra joia do vocabulário coach. “Você está se autossabotando” é a frase mágica que explica qualquer fracasso sem precisar mencionar desemprego estrutural, racismo, machismo ou exploração. Se você não conseguiu a vaga, a promoção, o relacionamento ou a felicidade, a culpa é de um “sabotador interno”. A cura? Mais cursos, mais coach, mais disciplina. É o neoliberalismo psíquico perfeito: internaliza o inimigo e vende a falsa promessa de que basta reprogramar a mente para vencer o sistema — sem nunca enfrentar o sistema.

Avivamento (político)

Originalmente um termo teológico para designar um despertar religioso, o “avivamento” foi sequestrado pelo neopentecostalismo político. Agora, significa “tomar o poder em nome de Deus”. Não se trata mais de converter corações, mas de ocupar o Congresso, o STF, as prefeituras. O “avivamento” é a justificativa espiritual para o projeto de poder: Deus está levantando um exército de “soldados de Cristo” para governar. Quem se opõe não é adversário político, é inimigo de Deus. A teologia do avivamento é o braço místico do autoritarismo.