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B
Bancada Evangélica (como projeto de poder)
O termo parece apenas descrever um conjunto de parlamentares religiosos, mas esconde uma mutação política profunda. A “Bancada Evangélica” não é um bloco de fé; é uma máquina de poder neopentecostal que opera com disciplina partidária, financiamento de igrejas-empresa e teologia do domínio. Pauta-se pela guerra cultural (contra o aborto, contra a “ideologia de gênero”) para mobilizar votos e, nos bastidores, negocia cargos e emendas com o fisiologismo mais tradicional. A fé vira moeda eleitoral e o púlpito, palanque. O que está em jogo não é a salvação da alma, mas o controle do Estado.
Batalha Espiritual
Na cosmologia neopentecostal e da extrema direita cristã, a política não é debate de ideias, é “batalha espiritual”. Isso significa que adversários não são simplesmente opositores: são “demônios”, “exércitos do mal”, “servos de Satanás”. Transformar a disputa democrática em guerra cósmica tem uma função perversa: elimina a possibilidade de diálogo e justifica qualquer violência. Você não negocia com um demônio; você o expulsa. A batalha espiritual é o braço teológico da intolerância absoluta.
Bem (contra o Mal)
Na propaganda fascista, o mundo se divide em dois blocos estanques: o Bem (nós) e o Mal (eles). Não há nuança, contradição ou autocrítica possível. O líder encarna o Bem; seus inimigos são o Mal absoluto. Psicanaliticamente, é o mecanismo mais primitivo de defesa: a cisão. Projeta-se tudo o que é inaceitável em si mesmo sobre o outro, que deve ser aniquilado. Esse maniqueísmo infantiliza o debate público e é o fundamento de todos os genocídios. Quem se julga portador do Bem absoluto está autorizado a qualquer barbárie.
Biografia não autorizada
Na boca de líderes autoritários e seus seguidores, “biografia não autorizada” é sinônimo de calúnia. A exigência de que só se publique o que o biografado “autoriza” é uma confissão involuntária de autoritarismo: o sujeito quer controlar a própria imagem até depois de morto. Historicamente, movimentos fascistas sempre tentaram reescrever o passado e criminalizar quem conta a história que desagrada. O ódio à biografia não autorizada é o ódio à verdade que escapa ao controle do líder.
Biologicismo
Discurso que reduz toda a complexidade humana ao corpo biológico e à natureza. “Homem é homem, mulher é mulher, está na biologia” — a frase típica do influenciador de extrema direita para atacar pessoas trans e feministas. O biologicismo finge que a cultura, a história e a psicanálise não existem; tudo se resume a cromossomos e hormônios. É uma pseudociência rasteira que serve para justificar a hierarquia: se é “natural”, é imutável. A injustiça social vira destino biológico. Quem ousa contestar é “antinatural”.
Biopolítica (captura reacionária)
Originalmente um conceito do filósofo Michel Foucault sobre como o Estado administra a vida das populações, o termo foi sequestrado pela extrema direita para designar sua própria paranoia: “a biopolítica globalista quer controlar seu corpo com vacinas e chips”. É uma inversão cínica: o que o fascismo sempre fez (controlar corpos, sexualidades, natalidade) é projetado sobre o inimigo.
Bíblia (como escudo político)
Na política neopentecostal, a Bíblia não é um livro sagrado para leitura íntima e comunitária; é um objeto cênico e um escudo. Levanta-se a Bíblia na tribuna, na live, no comício, não para iluminar, mas para blindar: “Estou com a Bíblia, logo estou certo”. O texto é citado fora de contexto, recortado para justificar preconceitos e ignorado quando fala em justiça social, perdão de dívidas ou amor aos estrangeiros. É a Bíblia como fetiche: objeto mágico que confere autoridade absoluta a quem a brande e desarma qualquer questionamento.
Bolchevismo cultural
Termo importado da nova direita americana (“cultural bolshevism”) e popularizado por Olavo de Carvalho no Brasil. Designa uma suposta conspiração comunista que, tendo fracassado na economia, resolveu destruir o Ocidente pela cultura: feminismo, arte moderna, direitos LGBTQIA+, tudo seria “bolchevismo cultural”. A teoria é absurda, mas sua função é clara: transformar toda demanda por igualdade em subversão.
